30.3.10

que mostrar seja a missão das coisas
não tenho a palavra certa
quero falar o que escapa à língua
meu estômago é mais eloqüente
o poema apenas se parece comigo

priscilla martins @ 00:20 | comentário(s)

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18.2.10

se rima fosse harmonia,
rimaria
tristeza com beleza -
e em todos (ri, Maria!),
um poeta surgiria...

priscilla martins @ 23:41 | comentário(s)

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28.11.09

no meu peito sismógrafo
se inscrevem gozo e agonia
interrompidos pelo chamado
que acende estrelas na minha perna
morrendo em meu beijo
o desejo que me acha linda

priscilla martins @ 11:36 | comentário(s)

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3.11.09

silêncios coagulados
de ausências tantas
aguaram
no aguardo sem espera
de uma sede que secasse
os olhos (abertos durante o beijo)
da chuva desses dias.

priscilla martins @ 15:43 | comentário(s)

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24.6.09

curva
que só é curva
para trás,
que é reta
no enquanto,
que são retas,
e, portanto,
acidentes
só existem
no passado -
para frente
os caminhos
todos vão.

priscilla martins @ 01:46 | comentário(s)

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5.5.09

poesia
supõe
o que ninguém
diria.
quem diria
que um dia
ela seria...

pois é,
poesia
se põe,
daninha,
na entrelinha
da rima
minha.

priscilla martins @ 03:54 | comentário(s)

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28.4.09

música de motor de geladeira
em sintonia com o couro da cabeleira
e os outros pêlos arrepiados em fileira:
melodia monótona dos eletrodomésticos
ligados noite e dia-a-dia.

a tomada também está deitada
na parede e permanece ligada
conservando os alimentos
com o frio da madrugada
não dormida.

priscilla martins @ 00:01 | comentário(s)

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22.1.09

queria te cantar
mas não sei tocar
se não for no seu corpo -
meu violão.
porque você me encanta,
mesmo sem nenhum canto,
então faço desse poema
a nossa canção.

e faz de conta
que é um samba
enredo pro carnaval
e tem a sina
de acabar na quarta
feira ou tentativa
de misturar todas as cores
e descobrir que dá cinza.

priscilla martins @ 03:42 | comentário(s)

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10.11.08

era farelo. decanto.
repouso sólida na superfície.
de tão leve, insustentável:
evaporo e dissipo pelos ares
as dores que juntas eram dor
para que sejam chuva rápida
em solo novamente fértil,
onde semeio grãos.

priscilla martins @ 01:10 | comentário(s)

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1.10.08

oportunidades
são lágrimas
que estão
por serem
choradas:
o som
de uma
oportunidade
perdida
é o som
de uma
lágrima
caída -
quero metáforas
de rimas fáceis
para minha vida.

priscilla martins @ 15:36 | comentário(s)

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6.8.08

sabe esse espaço
que é a origem
do meu cansaço,
porque me canso
é de enchê-lo:
de qualquer coisa
faço recheio,
receio
que o vazio
envolva
de tal jeito
que o resto
vire do avesso
e reste só
o que desconheço.

priscilla martins @ 05:52 | comentário(s)

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24.7.08

tudo bem
se você
se machucou:
merthiolate
agora não arde
e é incolor.
aspirina,
menina,
cura quase tudo:
cefaléia,
dor de siso
e amor mudo.

saudade
é psicológico:
já reparou
que o bom
do passado
é que ele passou
e que todo mundo
estaria velho
e são
se o tempo
fosse mesmo
bom doutor?

priscilla martins @ 10:53 | comentário(s)

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24.6.08

http://www.youtube.com/watch?v=cAWeuL8dbr0

priscilla martins @ 17:45 | comentário(s)

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15.5.08

o passado
é hoje
porque passou
e ficou,
fincou
estaca -
estanque.
hoje parou
desde ontem
e anteontem -
antepasso
e anteparo
no meio
da ponte
pra amanhã
de manhã
que não chega,
nem atrasa.
que é noite,
que é ainda,
que é nada.

priscilla martins @ 04:49 | comentário(s)

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1.4.08

é como um dente siso,
que eu não preciso,
mas aparece sem aviso,
mudando meu sorriso
e prometendo mais juízo.
e antes fosse só isso,
mas ainda dói quando piso,
e a cada passo indeciso,
sobrevivo do que economizo
em lágrima e em riso:
calculando o improviso.

priscilla martins @ 08:07 | comentário(s)

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25.3.08

um oceano afundou
o que era imediato:
o desespero descansa em paz
e seu corpo inchado
nunca mais foi encontrado.

e em terra, ficou a espera,
com paciência de quem sabe
que volta pelos ares
tudo o que sobrevive
às intempéries.

priscilla martins @ 01:20 | comentário(s)

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4.3.08

decidido que agora,
rima, só por acidente:
quando a língua for
mais rápida que a mente -
que mente,
dizendo que não ama mais
porque amar é estar doente,
e fazer poesia só serve
de anestesia pra gente
que não sabe amar
e sofre de dor pior
do que dor de dente.

priscilla martins @ 12:54 | comentário(s)

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22.2.08

só estando junto,
aprendi a estar só,
só comigo,
que já é muito -
é pelo avesso
que vejo
o que não é,
e todo o resto
só pode ser.

priscilla martins @ 05:21 | comentário(s)

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30.11.07

me despeço do peso
de ter que ser,
pra poder ser sem ter
poder ou dever.
voar com o vento
e na chuva, chover.
brilhar com o sol
até anoitecer.
uma brisa leve
que me leve
pra onde não sei
que é meu lugar -
e que não seja um...
quero sempre estar
de partida ou por chegar
em todos os cantos
onde eu possa cantar
uma canção pra mim.

priscilla martins @ 06:01 | comentário(s)

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16.11.07

sou museu
e sou meu:
museu de mim.
guardo gostos
e cheiros.
perco unhas
e cabelos.
de segunda
a segunda
os segundos
escavam
relíquias cutâneas,
vestígios dos dias,
acervo de cicatrizes,
antologias:
a beleza é pele morta.

priscilla martins @ 14:26 | comentário(s)

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28.9.07

escrevo no espaço
com o corpo em movimento
de ir de um lugar ao outro: danço
com a música da cidade,
sob as luzes da cidade...
são imagens, tudo o que vejo
com os olhos, e palavras,
tudo o que vejo sem eles.

priscilla martins @ 00:39 | comentário(s)

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